O cheiro do ralo
Semana passada aproveitei a promoção dos cinemas paulistanos (filmes a R$3) e assisti ao “O cheiro do ralo”. Pra quem nunca ouviu falar, trata-se do novo filme de Selton Mello e fala, basicamente (segundo as palavras do próprio), de um cara que se apaixona por uma bunda. Está certo, o filme vai bem além disso e trata com humor da vida de um cara que vive de comprar coisas que pessoas desesperadas tentam lhe vender. Aos poucos, entra num processo de coisificação de tudo, no qual ele detém o poder de compra. O ralo entra com o cheiro que empesteia seu escritório e a bunda é uma das “coisas” que ele quer comprar.
Tudo isso pra dizer que São Paulo, na última semana, era o próprio cheiro do ralo. Com a greve dos trabalhadores de limpeza urbana, a cidade assumiu um odor desagradável, mas condizente com a grande produção paulistana dos últimos tempos: lixo.
No filme, lá pelas tantas, o personagem começa a ser atormentado pelo cheiro do maldito ralo, que passa a se confundir com seu próprio cheiro. Como no filme, pensei em como, muitas vezes (e infelizmente), somos capazes de nos reconhecer em nosso lixo.
Incomodada, a população reclamava, porém continuava a acumular os restos nas ruas. Antes lá fora que dentro das casas, provavelmente pensavam. Assim, talvez, qualquer crise psicológica que o cheiro dos sacos de lixo pudesse provocar se afastava à distância de um portão.
Para mais informações sobre o filme: http://www.ocheirodoralo.com.br/index_ie.htm
Ouvindo o CD Riot on an Empty Street - Kings of Convenience
Escrito por Fernanda Senna às 22h17
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