A mesma luta
Estive ontem na Marcha Mundial das Mulheres, lá na avenida Paulista. Não cheguei a ver o que a grande mídia fantasiou a respeito de um ato bem organizado (dada a quantidade de pessoas) e pacífico, mas dá pra imaginar...
Obviamente, foi circunstancial a visita de Bush na data internacional de luta feminista, afinal não se podem dissociar as razões que movem à luta de mulheres e à luta contra o neoliberalismo. Não se pode imaginar emancipação feminina legítima numa sociedade em que as pessoas tornam-se menos importantes que as coisas que podem comprar.
Há que se dizer, entretanto, que ainda não cheguei a uma conclusão clara sobre o ato de ontem. Àqueles que imaginam que se tratou de reunião de baderneiros, anuncia-se que sim, havia algumas pessoas (conta-se na mão) que sequer sabiam o que estavam fazendo ali. E muito provavelmente, tenham sido esses que se envolveram em algum tipo de embate com a polícia despreparada que, na revida, lançou bombas sob o vão livre do MASP, onde se concentravam a maioria das mulheres, deficientes e crianças e de onde não se tinha para onde correr. Por outro lado, talvez a bandeira “Fora Bush” tenha roubado o tom lilás da marcha, e é aí que reside minha dúvida...
Ressalto, mais uma vez, que a luta contra um modo de produção opressor está em uníssono com a luta contra outras formas opressoras, inclusive contra a mulher. Mas confesso uma certa angústia por outros companheiros que não percebem que a luta é uma só...
Ouvindo “Pra não dizer que não falei das flores”, Geraldo Vandré
Escrito por Fernanda Senna às 19h33
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