Delicatessen – parte II
Triste pensar que este é um tema que se repete por aqui... Depois de tanto tempo desaparecida, gostaria de reescrever sobre viagens ou outras coisinhas bacanas; mas o que me traz, novamente, são pontapés no traseiro.
Saímos do estágio às 17h, eu e mais duas amigas. Uma delas, a Rafa, precisava tomar uma injeção: já tinha ido ao médico (no serviço de saúde dos alunos) e portando receita e medicamento, procurava alguém que pudesse dar a picadinha.
Nos informamos na recepção do hospital (pra quem nunca visitou o Hospital São Paulo, não deixem de fazê-lo com um guia!), onde nos foi indicada a sala de medicação da enfermaria. Lá, delicadamente (háhá!), nos disseram que era necessária uma receita assinada por um médico do hospital, que aquela (assinada por um médico também do hospital, mas, talvez, não um de quem ela gostasse) não serviria.
Para obtermos uma assinatura do tal médico, precisávamos de uma ficha. No balcão, o rapaz – que lembrava-se de mim dos laboratórios de anatomia no ano passado (hein?) – pediu que falássemos com um médico que triava os pacientes antes de chegarem ao balcão.
Me aproximei do doutor. Comecei a escutar comentários: “Ela vai entrar na frente? Se ela for furar fila, eu também vou!”
Pendurei a estrelinha de xerife (o crachá da faculdade), realmente sem pensar em furar a fila – minha única intenção era de esclarecer aonde deveríamos ir. O médico nos deu uma senha para que abríssemos uma ficha e então fôssemos para algum lugar. Esse “algum lugar”, segundo meu novo amigo do balcão seria a malfadada sala 24, a mesma em que tivemos o prazer de conhecer aquele doce de enfermeira.
Obviamente, já havia uma fila desta vez. E ainda estávamos sem uma ficha, pois o amigo disse que esta seria levada à sala. Tivemos de deixar algumas pessoas passar na frente,uma vez que a ficha não chegava. Depois de tornar a pedí-la ao moço do balcão e fazer amizades na fila, a ficha finalmente chegou.
Uma de nós aguardava, previdentemente, na fila posta frente à sala do médico, caso, -como sabíamos que seria - fosse necessário falar com ele. A Rafa foi então pedir a ficha na sala 24, pra poder falar com o médico da sala ao lado. E mais uma vez, a fofa quis atrapalhar a nossa vida:
- “Quem está pedindo a ficha?”
- “O médico, aqui ao lado.”
- “Que médico? Qual o nome dele?”
E a Rafa foi perguntando o nome do rapaz. A enfermeira, desacreditando mais do que nunca de nossa boa-fé, foi até lá e perguntou pra o dr.se podia liberar a porcaria da ficha e, claro, ouviu um sonoro ‘sim’.
Era nossa vez de tomar o remédio, finalmente. Nossa porque, a essa altura do campeonato, eu já me sentia no direito de receber a picada também. A paciente entrou na sala, e saiu. Assim, às 18h30min, rápido demais.
Nada me deixa mais irritada do que profissionais formados para cuidar de gentes agindo com tanto descaso. Mais do que ver ladrões, assassinos e PCC’s em ação, afinal sabe-se lá Deus o que os leva a fazer tais coisas. Agora, maltratar dos que confiam a própria vida, crendo na sua “sabedoria”, é falta de delicadeza demais pra mim.
Ouvindo o cd "Por pouco", Mundo Livre S/A
Escrito por Fernanda Senna às 10h52
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