Crise da maioridade*
Meus primeiros 5 anos de vida se passaram na Vila Romana, um dos bairros típicos de imigrantes italianos da cidade. E se vocês me pedirem uma lembrança dessa época, a primeira que me ocorre é uma memória olfativa: todo fim de tarde, um cheiro incrível de biscoito fresquinho invadia os arredores, de uma fábrica que existia a poucas quadras da minha casa.
Ela era toda de tijolinhos e a única entrada aberta ao público em geral era a do balcão. Nós, os pequenininhos, nos debruçávamos no vidro que protegia as delícias e, apesar de tantas opções, a nonna sempre acabava levando pra casa três saquinhos: um de biscoito recheado de chocolate, outro de morango e um de palitinhos de chocolate.
Perguntem, agora, onde fica a tal fábrica – similar tupiniquim da de Willy Wonka nos meus sonhos -? Bem, ficava no lugar onde há hoje um prédio sem cheiro nenhum.
Triste, isso, né? De alguma forma, foi um pedacinho (deliciosos, por sinal!) da minha história que virou, literalmente, história...
Daí, eu fico pensando... Como será quando eu for contar essas coisas pros meus filhos? Eles não vão botar a menor fé... Se eu ainda insistir, e disser que houve o Shopping Matarazzo? Eles vão me perguntar se na minha época, a Casa das Caldeiras (ruínas das indústrias dos célebres italianos) ainda expulsava fumaça...
Ouvindo o CD “4”, dos Hermanos
* Pra quem não sabe, 21 recém completados... (quando escrito)
Escrito por Fernanda Senna às 16h08
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