Teste de fidelidade
Tudo bem, eu confesso: estava, sim, em casa, sozinha e entediada e me rendi aos apelos do maldito programa do João Cléber. Apesar de achar o apresentador uma fraude – minha cachorra conduziria o programa com mais classe – e dele ser nojento, o suportei por algum tempo só para rir um pouquinho.
Pra quem nunca assistiu (juro, com bom humor e disposição pode ser muito divertido!) trata-se de um quadro em que algum(a) cônjuge/ namorado(a) / parceiro(a), pretendendo comprovar a fidelidade do outro, solicita ao programa que preparem uma arapuca fatal para o pobre coitado. No caso do teste à mulher, um rapaz forte, boa pinta, rico e “interessante” (questionável...) tenta a seduzir; nos casos em que o testado é o homem, uma gostosona em trajes provocativos (leia-se decotes profundos, mini-vestidos e até sexies corselete e cinta-liga) se pronuncia, sem pudores.
O mais interessante, tomando-se como verdadeiros os fatos aí observados, é que os “atores” forçam a barra até o testado ceder. Logo, os duvidosos, em rede nacional são “esclarecidos acerca da índole do parceiro” (que, diga-se de passagem, é a maior vítima).
Me divirto porque é, realmente, muito difícil pra mim acreditar que a encenação é verdadeira. Mas, e se for? Que visão distorcida as pessoas tem de fidelidade?
Valores como confiança e cumplicidade ainda tem algum significado?
Parece que não. Alguns poderão ler e pensar “olha esse falso moralismo...”, mas não acredito que seja demagogia falar que o grande barato de qualquer relacionamento é, sim, a confiança e a cumplicidade. Cada um fazendo o que bem entender, segundo o que tiver sido previamente combinado pelo casal, sem que o outro fique se “preocupando”; problemas sendo resolvidos entre eles e pronto. Tudo tão simples, e tão mais gostoso!
Isso dá tranqüilidade, conforta. Apesar de tudo, muitos não concordam comigo. E daí, prova de amor vai ser resistir bravamente ao apelo, pura e simplesmente, sexual de um corpinho estranho.
Numa boa, provas de amor e fidelidade são muito mais honestas e menos propositais que “armadilhas sexuais” na TV.
Ouvindo "I try", Macy Gray