A magia de cada um ou Phenomena

 

 

Há pessoas em cuja presença coisas mágicas acontecem. Compreendam “mágicas” num sentido amplo, como fenômenos inexplicáveis, não necessariamente bons.

 

Tenho um amigo que, em três ocasiões que estivemos juntos, coisas aconteceram. Na primeira vez, durante uma viagem à cidade paulista Caconde (quando nos conhecemos), presenciamos uma tentativa fracassada de suicídio, na qual após saltar de uma altura considerável o indivíduo conseguiu levantar sozinho pra ameaçar os que foram em seu socorro. Depois, no dia de seu aniversário, minha irmã sofreu um acidente de carro. Na última ocasião, fomos fazer um lanchinho inocente num Habib´s do Centro, e enquanto matávamos a fome o mundo acabava do lado de fora (as portas da loja chegaram a ser fechadas) graças a um embate noturno entre policiais e ambulantes.

 

Com uma outra amiga, basta sairmos de carro. Numa ocasião, sofremos a tentativa de assalto por parte de um menininho de rua. Da outra vez, bateram no nosso carro. Da última, descobrimos que nada acontece dentro do carro se já tiver acontecido fora dele: num passeio despretensioso de bicicleta pelo Parque Villa-Lobos eu dei um baita encontrão numa menina, também de bicicleta. O resultado foi uma boca cortada, lábios inchados, a bunda doendo e um sustinho.

 

Com uma outra, juntas, geralmente cometemos erros cretinos (como pegar o ônibus errado) e gafes homéricas (como procurar desesperadamente o óculos que está no rosto).

 

Esse tipo de coisa seria desestimulante por si só. São motivos suficientes pra parar de me relacionar com essas pessoas!

 

Mas, na verdade, o que consigo perceber é que a presença de todos carrega consigo uma certa “magia”. Nós é que somos incapazes de perceber isso, às vezes. Alguns tornam momentos do nosso dia bastante especiais sem ter feito muito; outros nos fazem rir. Há pessoas que fazem muito e nos motivam com isso e há seus pares antitéticos. Tem gente que acha o máximo essa minha vidinha misto de pastelão com cabaré (humor e paixão por tudo – até quando não devia!) e tem gente que me mostra como ser melhor.

 

A diferença essencial é que há aqueles que contribuem com momentos “mágicos” indescritíveis e há os que contribuem com boas histórias pra se contar depois. Quem sabe até em um blog...

 

 P.S.:o primeiro título é breguinha, né? o segundo também, mas enfim...

 

 

Ouvindo “Every you every me”, Placebo



 Escrito por Fernanda Senna às 16h27
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Teste de fidelidade

 

 

Tudo bem, eu confesso: estava, sim, em casa, sozinha e entediada e me rendi aos apelos do maldito programa do João Cléber. Apesar de achar o apresentador uma fraude – minha cachorra conduziria o programa com mais classe – e dele ser nojento, o suportei por algum tempo só para rir um pouquinho.

 

Pra quem nunca assistiu (juro, com bom humor e disposição pode ser muito divertido!) trata-se de um quadro em que algum(a) cônjuge/ namorado(a) / parceiro(a), pretendendo comprovar a fidelidade do outro, solicita ao programa que preparem uma arapuca fatal para o pobre coitado. No caso do teste à mulher, um rapaz forte, boa pinta, rico e “interessante” (questionável...) tenta a seduzir; nos casos em que o testado é o homem, uma gostosona em trajes provocativos (leia-se decotes profundos, mini-vestidos e até sexies corselete e cinta-liga) se pronuncia, sem pudores.

 

O mais interessante, tomando-se como verdadeiros os fatos aí observados, é que os “atores” forçam a barra até o testado ceder. Logo, os duvidosos, em rede nacional são “esclarecidos acerca da índole do parceiro” (que, diga-se de passagem, é a maior vítima).

 

Me divirto porque é, realmente, muito difícil pra mim acreditar que a encenação é verdadeira. Mas, e se for? Que visão distorcida as pessoas tem de fidelidade?

Valores como confiança e cumplicidade ainda tem algum significado?

 

Parece que não. Alguns poderão ler e pensar “olha esse falso moralismo...”, mas não acredito que seja demagogia falar que o grande barato de qualquer relacionamento é, sim, a confiança e a cumplicidade. Cada um fazendo o que bem entender, segundo o que tiver sido previamente combinado pelo casal, sem que o outro fique se “preocupando”; problemas sendo resolvidos entre eles e pronto. Tudo tão simples, e tão mais gostoso!

 

Isso dá tranqüilidade, conforta. Apesar de tudo, muitos não concordam comigo. E daí, prova de amor vai ser resistir bravamente ao apelo, pura e simplesmente, sexual de um corpinho estranho. 

 

Numa boa, provas de amor e fidelidade são muito mais honestas e menos propositais que “armadilhas sexuais” na TV.

 

 

Ouvindo "I try", Macy Gray



 Escrito por Fernanda Senna às 14h29
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