Ora, se não sou eu quem mais
vai decidir o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão!
Ah, se o que eu sou é também
o que eu escolhi ser
aceito a condição
Vou levando assim
que o acaso é amigo
do meu coração
quando fala comigo,

quando eu sei ouvir...

 

 

Los Hermanos, “O velho e o moço”



 Escrito por Fernanda Senna às 22h07
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Cadê a poesia?

 

Tenho me perguntado ultimamente por onde anda a poesia. Não me refiro à poesia literária, registro lírico de emoções. Refiro-me à poesia manifesta na vida de cada um, que torna as coisas mais ideais e o mundo um lugar mais bacana de viver.

 

Às vezes sinto-me um pouco sozinha. Ou, no mínimo, diferente. Quando frente aos meus ideais – os quais sei, muitos, um bocado distantes – se depara não um argumento, mas a negação, pura e simples, sem o “esforço” de discutir a validade dessas crenças.

 

Quando alguém me diz que “a vida não é assim”, sem sequer se dar ao trabalho de explicar como é, ora bolas! Ou como acredita que seja, afinal a cor não é dos objetos, mas da luz que os ilumina.

 

Algumas pessoas desprezam a poesia nossa de cada dia da mesma maneira como desprezam a ânsia por mudanças. Baseados na estagnação – da vida, do pensamento, dos outros – renegam qualquer nova possibilidade ou qualquer coisa que não condiga com suas “novas crenças”, adaptadas ao mundo cruel e (essas sim) reais e válidas.

 

Tudo bem (com inúmeras ressalvas, diga-se de passagem) não ver poesia na sua própria vida, nem querê-la pra si. Mas desacreditar o encantamento com a lógica dos pensamentos e ações – e até mesmo acasos! – de outrem, e julgá-lo fruto incipiente, é muita violência. E é essa brutalidade que tem me incomodado.

 

Para salvar-me de prováveis surtos psicóticos, surgem um e outro amigo que, à sua maneira, cultivam sua porção poética. Acreditam no poder de seus pequenos atos e, ainda que por vezes confrontemos sonhos, projetos e ideais, acabo percebendo que o encanto resiste, para qualquer um. Alguns optam por enxergá-lo, ao contrário de outros.

 

Numa música do “Los Hermanos” ouve-se: “(...)me diz o que é o sossego, que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar.” Esse sossego, eu vejo como liberdade de se acreditar que as coisas valem a pena, e que lutar para isso não é tolice. Alguém a fim de me acompanhar?

 

P.S.: Inspirada, né?!



 Escrito por Fernanda Senna às 00h18
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Sustentando o mercado negro

Alguém se lembra daquele episódio do Chaves em que estão vendendo o jornal alardeando "Extra, extra, x (determinado número) pessoas enganadas!" e a cada novo comprador do exemplar o grito é acrescido de mais uma pessoa enganada? Pois bem, foi mais ou menos isso que aconteceu.

O novo computador executa bem vídeos e é o reprodutor oficial de DVD do lar. Após filminhos alugados e emprestados, num impulso, minha mãe se deteve numa banquinha de pirateados. Uma porção de cedezinhos brilhando ao sol, alguns até com belos "encartes".

"1 é 5, 2 é 10!", berrava o vendedor. Extasiada com a possibilidade do entretenimento a preço de banana, mamãe pediu um DVD do filme "Madagascar". Assistir em casa, em primeira mão - o filme não saiu dos cinemas - e de graça (não havendo outros filmes que minha mãe escolhera, o adorável ambulante deu-lhe como presente o disquinho), era de fato um bom negócio.

Preparamo-nos para a "sessão de cinema": sofá a postos em frente ao computador, luzes apagadas e então... invés de meigos e engraçados animaizinhos, surgem Zezé e Luciano, prestes a apresentar seu show.

Frustração generalizada. Nada contra a dupla (ah, só um pouquinho, vai!), mas ninguém merece assistir a uma espécie de propaganda mais longa das Lojas Marabráz enquanto espera por algo um tanto, digamos, mais elaborado. (Se fosse um roquezinho, ainda, vá lá... Hehehe!)

Sem perder o senso de humor, procuramos, então a quem culpar. Será culpa da mercantilista indústria do audiovisual que, ao extorquir seus clientes com preços abusivos, incentiva a prática do comércio ilegal? Culpa do ambulante que, tanto podia ter sacaneado como ele mesmo ser uma vítima do "grande senhor pirateador" que lhe vendeu o cd errado? Ou culpa nossa mesmo por estar sustentando o mercado negro (ainda que de maneira indireta)?

Prefiro culpar a todos: num ciclo vicioso, se um elo não se romper, nada mudará.

Mas que parece o episódio do Chaves, ah! Isso parece!

 



 Escrito por Fernanda Senna às 00h26
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